SINOPSE
Amadeu dos Santos e o folclore caminham juntos. Ele nasceu no Sítio Olho d’Água dos Dandanhas e, com apenas 15 dias de vida, mudou-se para o Sítio Cajarana. O nome da localidade advém de uma frondosa e frutífera árvore de cajá, que serve como marco referencial desse recanto arapiraquense. Batizada popularmente como Cajarana, a região recebeu, há muito tempo, o título de núcleo de cultura de raiz.
Desde a infância, Amadeu conciliou suas participações artísticas com o trabalho de agricultor. Além disso, ajudava no fabrico de telhas e tijolos na olaria da família, situada às margens do Riacho Perucaba. Com o passar dos anos, começou a trabalhar por conta própria e, por meio de seus esforços, tornou-se parte importante da economia do município. É um homem decente que carrega em sua trajetória o gosto pela arte e pela evolução cultural e econômica de sua terra.
Ele ainda guarda recordações vívidas da casa de farinha e do cheiro gostoso da produção de farinha azeda, da doce e do beiju quentinho. Esse beiju, quando misturado com o peixe pescado no jereré, deixa até hoje um gosto de saudade. Também fazem parte de sua infância as histórias de Trancoso, a Velha Cachimbeira, a Caipora, entre outras tradições do folclore brasileiro.
Na escola da professora Mariquinha, na Cajarana, Amadeu iniciou suas atividades escolares. Naquela época, havia o rigor da palmatória, que ficava marcada na mente; quando alguém reclamava ao seu pai, ele logo dizia: “Professora, bata mais!”. A enxada foi sua fiel companheira nos campos agrícolas. Foi através desse instrumento de trabalho que ele deu sua contribuição para o crescimento de sua cidade, cultivando feijão, mandioca para a produção de farinha, algodão e, principalmente, o fumo.
Embalado pelos tempos áureos da economia da terra de Manoel André, Amadeu ia à feira de Arapiraca montado em seu cavalo. Amarrava o animal na Intendência e logo saía para apreciar as apresentações musicais e o folclore local, que aconteciam ali mesmo, entre as bancas rústicas de madeira.
Esposo de um amor vivido, ele chega a dizer com carinho: “Até parece que casamos hoje”. Pai, folclorista, agricultor, produtor de hortaliças, agropecuarista, produtor de leite e líder comunitário, Amadeu dos Santos é um homem de simplicidade e sabedoria esplêndidas. Ele é, verdadeiramente, uma das raízes culturais de Arapiraca, Alagoas.
FICHA TÉCNICA
Idealização e direção Ricardo Nezinho | Entrevistado Arapiraquenses, 9ª Edição | Entrevistador Aldo CS | Local da gravação Arapiraca/AL | Data de Lançamento 28 de novembro de 2021 | | Produção executiva Ricardo Nezinho, Sandro Ferreira, José Sandro, Aldo CS, Caio Ceza, Jimmy Gonçalves | Historiador José Sandro | Diretor de Produção Aldo CS | Filmagem e Fotografia Sandro Ferreira | Técnico de som Sandro Ferreira, Cledivaldo de Oliveira | Colaboradores Isve Cavalcante, Fábio Barros, Bruno Nunes, Suely Mara Lins Melo | Projeto gráfico Duende CS | Trilha de abertura Marcos Sena, Jovelino Lima | Artista plástico Marcelo Mascaro.