José Manoel da Silva

O Ganga Zumba do Carrasco

( José Madinha )

TRAILER FILME

SINOPSE

José Manoel da Silva, conhecido como José Madinha, nasceu no Sítio Carrasco. O nome da localidade deve-se às inúmeras árvores carrasqueiras, também chamadas de pau-viola. Lá, desde o despertar de sua existência e ao longo de sua jornada, ele vivenciou o bonito dourado do crepúsculo da tarde, que confere uma tela de expressiva tonalidade ao Carrasco.

Naquela região, ele brincou e estudou, muitas vezes sentindo medo da palmatória de braúna. Cultivou amizades e viu o tempo passar e a comunidade evoluir, mas sempre conservando a ternura, a tradição e a forte cultura do recanto.

José recorda-se das festas de fim de ano no Alto do Cruzeiro, comandadas por seu patrão, Marcelino Magalhães, proprietário de olarias onde José Manoel fabricava telhas e tijolos de barro escuro. Desde cedo, ele ainda se lembra dos caminhos percorridos pelas águas da chuva no intenso inverno, quando as copas das árvores se mostravam verdes e viçosas, com uma capacidade imensa de embriagar visualmente com o êxtase do belo e as nuances das cores.

Sua avó paterna, Pastora de Jesus, segundo ele, foi escrava e dama de companhia de Antônia Rosa. Toda a área que compreende o Sítio Carrasco e suas adjacências era de propriedade de Antônia Rosa, que doou essa imensa área para sua avó. Pastora de Jesus morreu com 110 anos, em 1947; ela nasceu e faleceu no tradicional Carrasco, um ambiente habitado por um grupo de afrodescendentes que ali encontraram, nas matas fechadas, a liberdade dos ventos e dos pássaros. Não precisaram de lei para se sentirem livres, pois a liberdade fecundou há centenas de anos no Carrasco, hoje reconhecido como uma comunidade de remanescentes quilombolas, onde as estrelas brilham com mais intensidade.

No dia 13 de dezembro de cada ano, acontece a festa centenária da padroeira do lugar, Santa Luzia. A festividade foi criada por seu avô paterno, Antônio Rosendo, conhecido como Antônio Tinha. No século XIX, ele era tocador de pífano e discípulo do Mestre Saturnino do Capim. José Manoel, também mestre e componente da Bandinha Santa Luzia — tradicional nas quermesses da região —, já foi considerado por João do Pife como um dos maiores tocadores deste instrumento de sopro.

Roças, animais, plantas e outros elementos da natureza compõem a paisagem de sua vida, em uma performance de alto grau de felicidade, apesar das dificuldades muitas vezes causadas pela vivência no sertão. Assim como toda a sua grande história de vida nesta cidade, José Manoel da Silva é, verdadeiramente, uma das raízes culturais de Arapiraca.

 

 

FICHA TÉCNICA

Idealização e direção Ricardo Nezinho | Entrevistado Arapiraquenses, 9ª Edição | Entrevistador Aldo CS | Local da gravação Arapiraca/AL | Data de Lançamento 28 de novembro de 2021 | | Produção executiva Ricardo Nezinho, Sandro Ferreira, José Sandro, Aldo CS, Caio Ceza, Jimmy Gonçalves | Historiador José Sandro | Diretor de Produção Aldo CS | Filmagem e Fotografia Sandro Ferreira | Técnico de som Sandro Ferreira, Cledivaldo de Oliveira | Colaboradores Isve Cavalcante, Fábio Barros, Bruno Nunes, Suely Mara Lins Melo | Projeto gráfico Duende CS | Trilha de abertura Marcos Sena, Jovelino Lima | Artista plástico Marcelo Mascaro.