SINOPSE
Maria Augusta dos Santos Silva, a Mocinha do Pau d’Arco, nasceu no Sítio Pau d’Arco, hoje um grande povoado. Lá na infância, encantou-se entre as matas e as plantações rurais, banhando-se no Riacho Perucaba e pescando piaba. Ela conta que, naquele tempo, “do bom comia tudo, do ruim não deixava nada”.
Nos caminhos fantásticos de sua infância, vislumbrou, nas veredas, a rusticidade de um passado onde uma das poucas cores utilizadas nas fachadas era o amarelo-ouro, envelhecido pelas intempéries do tempo. Essa era a principal tonalidade de uma infância mergulhada no verde da paisagem natural.
Como era pequenino este Pau d’Arco! Contavam-se as casas nessa imensidão de um vazio preenchido por alegrias diversas e constantes, mesmo nos dias chuvosos ou sob o sol causticante da roça.
A igreja de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, construída em 1945 por Zelina Januário, contou com o trabalho comunitário dos moradores. Entre eles estava a menina Mocinha, que carregava tijolos para a obra e que, no mesmo ano, foi a Penedo a pé em busca da imagem da santa padroeira do lugar.
O antigo Pau d’Arco foi formado por Manuel Tomaz da Silva e Josefa da Silva, ambos oriundos de uma fazenda de Penedo, que ali chegaram em 1885. As famílias Fragelo, Tolentino e Januário formam o lastro da população antiga do recanto.
As brincadeiras existiam, mas o ponto alto era o trabalho na roça. Ela recorda o amor materno e sua fragrância, os ensinamentos de como fazer louças com o barro retirado do Riacho Perucaba e o exemplo de seu pai, um homem honrado que, com seu suor, sustentou sua prole.
No Pau d’Arco, ela viu florescer a cultura e o reconhecimento como remanescentes de quilombolas — fortes, organizados e orgulho da terra de Manoel André —, o que comprova o quanto é rica a diversidade desta cidade.
Mocinha participa ativamente de grupos folclóricos de reisado, drama e guerreiro, com apresentações em várias localidades, inclusive em União dos Palmares, terra de Zumbi, o herói nacional aclamado como figura universal da luta pelo direito à liberdade.
Com uma simplicidade admirável e uma história de muita luta, assim é Maria Augusta dos Santos Silva, a Mocinha, uma das raízes culturais de Arapiraca.
FICHA TÉCNICA
Idealização e direção Ricardo Nezinho | Entrevistado Arapiraquenses, 6ª Edição | Entrevistador Aldo CS | Local da gravação Arapiraca/AL | Data de Lançamento 17 de outubro de 2021 | | Produção executiva Ricardo Nezinho, Sandro Ferreira, José Sandro, Aldo CS, Davi Salsa | Historiador José Sandro | Diretor de Produção Aldo CS | Filmagem e Fotografia Sandro Ferreira | Técnico de som Sandro Ferreira, Cledivaldo de oliveira | Colaboradores Isve Cavalcante, Fábio Barros, Bruno Nunes, Suely Mara Lins Melo | Projeto gráfico Duende CS | Trilha de abertura Marcos Sena, Jovelino Lima | Artista plástico Marcelo Mascaro.